

Estávamos naquela que, há uns anos atrás, chamámos floresta das fadas. Deitados na relva, avistávamos pomares cheirosos e em flor e falávamos de como nos sentiamos unos com aquela paisagem; de como acreditávamos que eu, e tu, e aquela praia e aquela borboleta branca, éramos moléculas do mesmo todo e, por isso, descansávamos na certeza fugitiva de que somos o grão de pó irresponsável e passivo que é levado pelo sopro do vento ou a gota de água perdida na corrente, se qualquer responsabilidade individual.
Lenta e caladamente, embebedámo-nos na doce paz crepuscular. Às vezes olhávamos um para o outro no mesmo momento, pensando ambos a mesma coisa e sentimos os dois a eternidade de todos os momentos e que tudo quanto pode ser expresso por palavras é apenas parcial, porque palavra alguma pode revelar o que nós sentimos naquele anoitecer.
Entretanto a noite caiu e ficámos os dois a contemplar silenciosamente um sumptuoso céu de fim de Verão cheio de estrelas. Desde o iníco da tarde que nos nossos olhos bailavam lágrimas, mas quando te comovido, lágrimas incontíveis começaram a deslizar-me pelo rosto.
Então, da idealidade descemos desgostosamente à realidade e dissémos boa noite. Para sempre.







